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Terra Blog

24.09.07

Futuro vendido

categorias: Esportes
A cada ano que passa, os poderosos clubes europeus investem mais em jogadores com pouca idade. Se antigamente as categorias de base dos clubes latino-americanos eram celeiros de craques, hoje não passam de exportadores. Deco, Messi e Giovani dos Santos são exemplos disso. Eles têm comum mais do que jogarem pelo Barcelona, uma das maiores equipes de futebol do mundo: nenhum dos três mostrou o talento que possuem nas equipes profissionais dos países onde nasceram.
Anderson Luis de Souza, mais conhecido como Deco, é brasileiro, nascido em São Paulo e naturalizado português. Jogador com boa visão de jogo e habilidoso, deixou o Corinthians de Alagoas com apenas 17 anos, indo jogar no futebol português, antes mesmo de disputar qualquer campeonato profissional no Brasil. Jogando pela equipe portuguesa do Porto, Deco se destacou, ganhou títulos e uma proposta milionária para jogar na Espanha. Após ganhar cidadania portuguesa, passou a defender a seleção lusitana e pensa em se aposentar jogando pela equipe que o revelou para o mundo: pensou que era o Corinthians? Errou, ele quer pendurar as chuteiras defendendo o Porto.
Lionel Messi, nascido num bairro pobre da Argentina, foi contratado ainda adolescente pelo Barcelona, com apenas 13 anos e ficou famoso recentemente, quando começou a jogar pela equipe principal do time catalão. No país sul-americano, poucos viram o habilidoso canhoto jogar. Considerado o sucessor do Maradona, Messi era um desconhecido para “los hermanos”, que só conseguem ver o craque jogando pela TV...
O mexicano Giovani dos Santos é o garoto – prodígio do momento. Mal completou dezoito anos e já carrega o peso de ser comparado constantemente com Ronaldinho gaúcho, ídolo e companheiro de equipe. As comparações vão além da aparência física: a velocidade, a força e a precisão do chute são muito parecidas com as do craque brasileiro. Em solo mexicano, ninguém o viu jogar, pois desde criança joga no Barcelona.
O problema, para os clubes americanos, é que por serem muito novos, esses garotos não podem assinar contrato com clube nenhum, desse modo, esses jovens, preparados pelos clubes por anos, saem a custo zero. Para conseguir essa transferência, os clubes europeus oferecem empregos para os pais desses meninos. Recentemente Neymar, de apenas 15 anos recusou propostas dos times espanhóis Real Madrid e Valencia. O Santos, clube do litoral paulista onde joga Neymar, fechou um contrato de imagem com valor fixado em U$ 25 milhões. Essa foi a maneira encontrada pelo clube para segurar o jogador, que agora tem um vínculo com o time do litoral até 2015. Há poucos dias Alexandre Pato, de 17 anos, foi vendido pelo Internacional de Porto Alegre ao Milan, da Itália, por U$ 20 milhões. Pato não disputou nem um campeonato brasileiro completo, tendo jogado apenas 27 jogos como profissional na equipe gaúcha.
Seguindo um pensamento lógico, as previsões para os próximos campeonatos brasileiros não são boas. Como os bons jogadores vão embora cada vez mais cedo, se não ocorreram mudanças nos contratos, em breve os clubes latino-americanos serão como asilos, tendo apenas jogadores medianos e veteranos disputando as partidas, isso se esses "mais experientes" voltarem...


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