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Terra Blog

Arquivo de: Setembro 2007, 21

21.09.07

Palavras repetidas

categorias: Expressão

Choro. Lágrimas de dor, de tristeza, de saudade e de revolta. Expressão de quem sabe que as coisas não poderão ser como eram até segundos atrás. Nos últimos dias a sociedade tem acompanhado o sofrimento de famílias vitimas da violência cada dia mais cruel e descontrolada.

Rio de Janeiro quarta-feira, 7 de fevereiro. A comerciante Rosa Cristina Fernandes Vieites volta para casa com os filhos quando para o Corsa prata no sinal de trânsito na Rua João Vicente, em Oswaldo Cruz, no subúrbio do Rio de Janeiro. Antes que ela possa continuar o caminho para casa, assaltantes abordam a família. Rosa sai do carro, assim como a filha dela, a adolescente Aline. O filho mais novo, um garoto de 7 (sete) anos, entretanto, não consegue sair do carro devido ao cinto de segurança. Rosa tenta desesperadamente soltar o garoto, enquanto os bandidos a pressionam. Ela, porém, não consegue soltá-lo e os ladrões arrancam com o carro. O garoto, pendurado pelo cinto, é arrastado pelas ruas. No trajeto, o carro roubado passa por um Batalhão do Exército e por uma delegacia. Um motoqueiro tenta seguir o carro e é ameaçado, distancia-se e logo se aproxima novamente, mas desiste quando vê uma arma apontando para ele. Pessoas gritam para o motorista parar o carro, mas ele só o faz sete quilômetros depois do local onde roubou o veículo. Os assaltantes abandonam o Corsa na Rua Caiari, em Madureira, antes de fugiram a pé. O menino está morto, e seu corpo destruído.

São Paulo, quarta-feira, 28 de fevereiro. Maria de Fátima está apreensiva esperando o retorno da filha que foi ao dentista. O telefone toca e a filha diz que está saindo do consultório, em Moema e logo estará em casa, em Embu-Guaçu. A garota de 13 (treze) anos vai para o ponto de ônibus. Enquanto a menina de sorriso fácil e humor contagiante espera a condução, assaltantes invadem uma Agência do banco Itaú próximo de onde ela está. Na hora em que os criminosos vão iniciar a fuga, alguém reage e atira, acertando um dos bandidos e dando inicio a um tiroteio. Logo uma bala perdida encontra a vaidosa e espontânea adolescente que é atingida nas costas. Minutos depois, o Policial Marcos Beltrão chega para ajudar a garota, já cercada pelos curiosos. O oficial tenta mantê-la acordada enquanto o resgate não chega. “Olha, minha perna está formigando, eu ‘tô’ sentindo uma queimação, minha barriga está doendo”, diz a morena que completa: “Me ajude, eu sou jovem, eu não quero morrer”. Maria aguarda ansiosa a adolescente que liga e dá a noticia: “Mãe, levei um tiro”. A menina é internada no Hospital Alvorada e lá recebe a noticia de que está paraplégica. O Governador do Estado de São Paulo, José Serra, a visita e oferece tratamento no Hospital das Clinicas. A ajuda é aceita pela família, humilde e que não tem condições de pagar o tratamento para a garota.

Santa Catarina, sábado, dia 3 de março. Em Joinville, assim como em todos os outros lugares, sábado é dia de culto para os adventistas. Porém, a cerimônia de reinauguração da igreja é interrompida após alguns membros acharem o corpo de um bebê no tanque batismal. A criança foi vista minutos antes brincando no pátio do templo e logo depois acompanhada de um homem. A perícia conclui que a vitima, de apenas 1 (um) ano e 8 (oito) meses, foi estuprada e estrangulada. Alguns dias depois, um rapaz de 22 anos confessa o crime. O desempregado estava na cidade de Canoinhas, interior do estado, onde mora. Ele foi a Joinville procurar emprego na época em que cometeu o crime, porém, alegou que não lembra o que aconteceu exatamente pois estava bêbado quando realizou tal barbaridade.

Esses crimes revoltaram a população que organizou passeatas, protestos e até tentaram linchar os criminosos. Porém, quase seis meses depois da ocorrência desses atos violência, eles já são passado sem importância e caem no esquecimento. A comoção que tomou conta do povo brasileiro já não tem a mesma força. Houve debates e discussões acirradas sobre novas leis, diminuição da maioridade penal e nada foi feito. Tudo está voltando ao que era antes. A rotina já volta ao normal, outros assuntos entram em pauta como a visita do Presidente americano George W. Bush que parou São Paulo, o milésimo gol do Romário, a barriguinha do Ronaldo... As coisas já voltaram a ser como sempre foram para a grande maioria da população, mas não para as famílias do João Hélio, da Priscila Aprigio e da Gabrielli Cristina Eichholz.

O que se passa?

categorias: Expressão

Sempre elas. Estão lá, no lugar certo, na hora certa, mas eles não compreendem. Elas não têm maldade, só pensam em se divertir. Eles não pensam em nada, a não ser neles próprios, não ligam para elas. Elas não sabem o que está acontecendo. Eles sabem, e é por culpa deles. Elas não têm como se defender, pois não possuem nem força, nem técnica, nem raciocino suficiente para isso.  Eles possuem força, técnica e raciocinio. Destaco: eles possuem raciocinio, não inteligência. Até a "hora certa", eles e elas nunca se viram, e ambos nem sabem que os outros existem. Mas chega a hora. Elas sofrem. Sempre.

Nesse ano esse encontro maldito tem acontecido com uma frequência anormal. E justo elas, as crianças, sempre pagam pelo pensamento podre deles, criminosos, assassinos.

Ontem (20/09), duas crianças foram atropeladas por um assaltante que fugia de policiais após roubar o veículo com o qual pode tirar duas vidas. As crianças brincavam na calçada quando foram atropeladas pelo fugitivo e estão internadas em estado grave.

João Hélio, Priscila Aprigio, Gabrielli Cristina Eichholz.. Vitimas. Hoje. Ontem. Até quando? Sempre? Por que elas, justo elas, covardemente agredidas, sem a minima chance de reação?